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08/11 - 03:32

Faith No More faz show com bis duplo no Maquinária

Redação iG Música

Com a meta de firmar-se no enxuto calendário brasileiro de grandes festivais, o Maquinária Festival deu início a sua segunda edição concorrendo com o Planeta Terra, que por acaso ocorreu neste mesmo sábado.

Com o público roqueiro dividido entre dois eventos, não foi de se estranhar que a capacidade do Chácara do Jockey tenha atingido no máximo metade de sua capacidade de público.

Mesmo assim os presentes puderam desfrutar de uma organização impecável, que seguiu o modelo do ano interior, intercalando um palco principal com outro secundário, nesse caso batizado como palco MySpace.

Outro grande ponto positivo do Maquinária foi a pontualidade dos shows, que seguiram o cronograma quase que completo - com exceção do Faith No More, que foi atrapalhado por uma chuva repentina.

Nação Zumbi

Deixando de lado o fato de que até então o público era escasso, a Nação Zumbi subiu no palco principal do evento às 15h e com um sol forte tocou clássicos de todas as fases de sua carreira, como "Maracatu Atômico", "Blunt Of Judah" e "Manguetown".

Em determinado momento o vocalista Jorge Du Peixe relembrou aos presentes os 15 anos do álbum mais cultuado da banda, Da Lama Ao Caos, que ainda contava com a liderança de Chico Science.

Entrosada como sempre, a Nação Zumbi fez uma apresentação competente e deixou claro que aquele seria um sábado de muito rock.

Sepultura

Único grupo veterano do Maquinária, o Sepultura mostrou-se novamente garantia de público para o evento. Seus fãs eram maioria esmagadora quando a banda tomou o palco principal, ainda com um sol forte no céu.

Enquanto na primeira edição do evento o baterista Jean Dolabella parecia buscar uma aprovação da plateia, desta vez o substituto de Igor Cavalera soava muito mais confortável e integrado ao grupo.

Além de canções de seu último trabalho, o álbum A-Lex, de 2009, o Sepultura não deixou de lado os hits que fizeram da banda a potência do heavy metal que é hoje, dentre as quais destacam-se "Territory", "Refuse/Resist" e "Roots Bloody Roots".

Infelizmente a apresentação foi marcada pela oscilação do som, que em momentos parecia muito baixo e em outros alto demais.

Deftones

As dificuldades técnicas no ajuste do som prejudicaram o início do show da banda Deftones, que teve de encarar o sol forte que se firmava contra seus músicos, que para sorte da plateia estavam visivelmente empolgados.

Aliás, foi a energia do grupo que fez com que a cada canção mais e mais pessoas se aproximassem do palco principal, fazendo com que a parte do público mais dispersa se aglomerasse aos poucos.

O vocalista Chino Moreno não decepcionou os mais ávidos por gritos potentes, enquanto o baixista Chris Chaney não conseguia disfarçar a alegria de estar no palco, provando ser um substituto à altura de Chi Cheng, que se afastou da banda após sofrer um acidente de carro.

O repertório do Deftones se ateve mais aos primeiros álbuns de sua carreira, tendo como destaque as canções "7 Words", "My Own Summer (Shove It)", "Head Up" e "Feiticeira", música inspirada na personagem de Joana Prado.

Perto do fim da apresentação Moreno desceu do palco e cantou em cima da grade onde os fãs se aglomeravam, fazendo a alegria dos que lutaram por um lugar no gargarejo.

Jane's Addiction

Depois de um show para metaleiro algum botar defeito, só mesmo uma banda como o Jane's Addiction para transformar o clima de "mosh pit" num tipo de boate a céu aberto - com direito a presença de duas moças com roupas sensuais durante algumas canções.

Vestindo um macacão brilhante ao estilo David Bowie nos anos 1970, o vocalista Perry Farrell fez uma apresentação performática e cheia de momentos curiosos, que fez muitos dos presentes acharem que ele vive em uma realidade paralela.

Entre as frases curiosas de Farrell, intercaladas por momentos em que ele contemplava a plateia com um sorriso no rosto e bebia vinho direto da garrafa, destaca-se o monólogo filosófico sobre a beleza da vida:

"A vida é bela, não? Mas às vezes a vida é dura, certo? Vocês pensam que a vida de Dave Navarro [guitarrista do grupo] é maravilhosa só porque ele é bonito, com um peito perfeito e um abdômen perfeito?... Dave Navarro já sofreu, por isso quando vocês o conhecerem tratem ele bem", disse o cantor.

Em outro momento ele teria dito que "um macho não teme a morte, mas a abraça", tudo isso contrastando com poses afeminadas, passos curiosos e um par de maracas que ele eventualmente tocou.

Os pontos altos do show foram os hits da banda, com destaque para "Stop!", "Ocean Size" e a famosa "Been Caught Stealing", seguida de mais uma afirmação curiosa do cantor: "Perry Farrell já foi pobre... Mas quando eu quero algo ele é meu, idiota. Tente me pegar."

A apresentação acabou com direito a samba, passistas e muita percussão ao estulo brasileiro. Quem não entendeu ao menos se divertiu com o espetáculo.

Faith No More

O grupo mais esperado da noite foi também o único que entrou atrasado, tudo por conta de uma chuva que pegou o público de surpresa, praticamente na reta final do primeiro dia do evento.

Por causa disso o vocalista Mike Patton, num modelito todo vermelho, subiu ao palco com um guarda chuva, que manteve durante toda a execução da canção "Reunited", escolhida para abrir o show.

Para surpresa dos presentes, Patton conversou e muito com o público em português, agradecendo ao término de todas as músicas e perguntando constantemente se todos estavam bem apesar da chuva.

O desembaraço do cantor é tanto que a letra de "Evidence", dedicada ao icônico Zé do Caixão, foi cantada quase que inteiramente em português, em uma versão cujo refrão transformou-se em "Não sei de nada".

Mostrando todo o seu talento de showman, Patton arrancou aplausos do público com alguns "obrigado paulistas" e com uma performance curiosa, com destaque para uma sessão de tossidos com o microfone na boca no término da música "Midlife Crisis".

Pouco antes de deixar do palco pela primeira vez, o cantor arrancou risadas dos presentes ao anunciar a última música da apresentação, alegando que depois iriam para casa pois são velhos.

Mas num surto aparente, Patton desceu e dirigiu-se à plateia que se aglomerava na frente do palco, puxando o fio de seu microfone até seu limite e repetindo dois palavrões em português, que foram repetidos a exaustão pelos fãs para quem ele cedia o microfone.

A apresentação ainda contou com um bis duplo, onde além de cantar a aguardada "We Care a Lot", o Faith No More louvou o time paulistano Palmeiras com a famosa "Olê Olê Olê Olê" e uma versão bizarra da canção "Carruagens de Fogo".

"Já faz mais de dez anos desde que tocamos aqui. E esse pode ser a última vez", assumiu o vocalista. Quem esteve presente espera que ele esteja enganado.

Palco MySpace

O palco MySpace serviu para animar a Chácara do Jóckey entre os shows do palco principal. Apesar de não atrair a atenção da maior parte do público, bandas como Stevens e Sayowa fizeram apresentações enxutas.

Mas o destaque mesmo ficou com a banda carioca Maldita, cuja apresentação performática não passou despercebida, e a dupla Brothers of Brazil, formada por Supla e João Suplicy, que abriram seu show com o Hino Nacional Brasileiro.

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Tricia Vieira

mike patton

Mike Patton durante o show do Faith No More

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