08/06 - 15:53
Viradão Carioca faz população redescobrir o Rio
Fred Leal
Pela primeira vez em sua história, a Cidade Maravilhosa recebeu no último fim de semana, de sexta a domingo, um evento que premiou simultaneamente todas as principais regiões do Rio de Janeiro, e o mais importante de tudo: não era carnaval. Mas parecia. Acompanhando o ressurgimento do carnaval de rua nos últimos anos, o Viradão Carioca - evento inspirado na Virada Cultural paulistana - se espalhou pela cidade criando pontos de concentração em diversos bairros. Com dois grandes palcos, montados na Praça XV (Centro) e Praça da Guilherme (Bangu), além de Lonas Culturais espalhadas por todas a cidade, a população carioca enfim teve acesso a uma festa que não incluía apenas Centro e Zona Sul.
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A secretária municipal de Cultura, Jandira Feghali, afirmou que uma das maiores metas do Viradão Carioca era "a reapropriação do espaço público através da reintegração entre os bairros". E ter a cultura como veículo para isso foi uma sábia decisão da prefeitura. Mesmo com apenas dois meses entre concepção do projeto, aprovação, e produção de todo o evento, as pouco mais de 48 horas de festa transcorreram sem grandes incidentes, provando mais uma vez o potencial turístico carioca e sua habilidade em produzir uma grande festa. Com a Polícia Militar e a Guarda Municipal espalhadas por diversos pontos da cidade – não só ao redor dos palcos, mas também nos caminhos entre eles – foi garantida a segurança da população para circular pelo Centro e bairros no meio da madrugada.
Os shows aconteceram sem grandes atrasos, surpreendendo a muitos - que, como bons cariocas que são, ainda chegavam alguns minutos depois do horário programado. As áreas onde os palcos se situavam estava sempre limpa (dentro do possível) e com lixeiras e banheiros químicos suficientes para atender aos presentes. A idéia de diluir a programação por diferentes áreas do Rio de Janeiro, diferentemente da centralização de palcos que acontece em São Paulo, funcionou perfeitamente, garantindo a todos os palcos presença constante de público, sem em momento algum tornar o local intransitável – como acontece no réveillon ou em megashows na praia de Copacabana – ou comprometer a segurança da platéia.
Jandira Feghali ainda contou que, para o ano que vem, o projeto do Viradão Carioca espera ser ainda mais inclusivo, atuando mais proximamente das comunidades para que os artistas locais também sejam parte da programação. Jandira também acredita que em 2010 a visibilidade da festa será bem maior, pois o tempo para produção e curadoria do evento será bem mais largo. A maior crítica da população para o Viradão foi justamente a falta de publicidade. Ainda na sexta-feira, muitos cariocas sequer sabiam o que estava para acontecer na cidade, ou mesmo em seu bairro. Apesar disso, a secretária ressaltou que foram distribuídos um milhão de tabloides com a programação completa do Viradão, em pontos específicos de movimento como rodoviárias, estações de trem, metrô e barcas.
Entre os maiores sucessos de público da Virada, estiveram o show de encerramento de Lulu Santos na Praça XV e o show d'O Rappa em Bangu (que recebeu cerca de 10 mil pessoas, de acordo com a produção). No entanto, Jandira ressaltou que, somados, os públicos das Lonas Culturais (espalhadas por bairros como Ilha do Governador, Vista Alegre, Santa Cruz e Pechincha) ultrapassa o dos palcos principais. O Viradão ainda contou com eventos nas áreas de cinema, literatura, artes plásticas e dança, espalhados por praças, museus e pontos turísticos da cidade. Como afirmou Marquinhos Diniz no encontro do samba no Arpoador, o grande mérito do Viradão Carioca foi fazer "a juventude e a velha guarda carioca saírem de casa para redescobrir o Rio".
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